15/04/2010
DA REPORTAGEM
O casal Irene da Silva Patrocínio, de 36 anos e seu marido Ricardo Aparecido Patrocínio, 31, moradores da cidade de Avanhandava, pretendem mover um processo contra um médico ginecologista, cujo nome não foi divulgado e que trabalha como plantonista na Santa Casa de Penápolis. O caso está em fase de investigação por parte da unidade hospitalar. A doméstica, que estava na 39ª semana de gestação, perdeu o bebê na manhã do último domingo, 11. Ela alega que houve falha no atendimento médico. Irene deu entrada no hospital na noite de sexta-feira, 09. No sábado, passou mal e vomitou bastante, aumentando suas dores por volta da 1h00 da madrugada do domingo, quando começou sentir muita contração. Apesar das fortes dores e da contração, Irene revela que em algum momento foi consultada pelo médico que estava de plantão antes de perder o bebê. Por volta das 2h00 da madrugada uma enfermeira foi até o quarto e constatou que o coração do feto batia normalmente. Três horas depois, por volta das 5h00, a enfermeira retornou e notou que o coração do feto não estava tendo mais os batimentos cardíacos. “O médico solicitou um exame de ultra-som apenas às 8h00 de domingo”, disse Irene. Ela ainda alega que após ser confirmado o óbito do feto, o médico não quis fazer a cesárea para a retirada, deixando o problema para o outro que entraria no plantão. “Durante todo este tempo passei muita dor”, ressaltou a doméstica. O feto foi retirado somente às 20h05 de domingo, ou seja, 12 horas depois de confirmado o óbito. A cesárea foi feita pelo outro médico que assumiu o plantão da Santa Casa às 19h de domingo. “Eu não tenho nenhuma reclamação com o hospital e também não tenho nada contra o médico que fez a cesárea, até porque eu poderia ter morrido e ele salvou a minha vida”, disse. Entretanto, a doméstica não esconde sua revolta e indignação contra o primeiro médico plantonista que não quis fazer à cesárea. “Era para a minha filha estar aqui do meu lado hoje se este primeiro médico tivesse feito a cesárea no sábado”, observou.
Alta
Irene recebeu alta do hospital na última terça-feira, 13, por volta das 9h00 da manhã. Tanto ela, como seu marido, retornaram para Avanhandava tristes, decepçoonados e revoltados. “Não vai ser fácil entrar no quarto que montamos com todo carinho para receber a nossa filha”, garantiu Ricardo. Eles já haviam escolhido o nome da menina que se chamaria Larissa da Silva Patrocínio. A chegada do bebê era um sonho antigo do casal, que tentava por mais de seis anos ter um filho. Durante o pré-natal, a doméstica explicou que não teve complicações e que tudo ocorreu normalmente, sendo comprovados em exames que o feto estava forte e sadio. O médico que acompanhou o pré-natal de Irene disse que ela seria internada no dia 12 de abril, mas em virtude de ter passado mal na sexta-feira, 09, teve que ser levada às pressas ao Pronto-Socorro de Avanhandava. Com a pressão arterial alta, a doméstica foi transferida para a Santa Casa de Penápolis. “Infelizmente, o médico me deu assistência apenas domingo pela manhã depois que a enfermeira constatou que o coração do feto não estava mais batendo”, reclamou.
Sindicância
Em contato com a administração da Santa Casa, o diretor Roberto Bastos garantiu que o hospital abriu uma sindicância interna para apurar este caso. Ontem estava prevista uma reunião com o diretor clínico Antonio Gazola e com o diretor técnico da Santa Casa, Luiz Washington. Ele também informou que a direção do hospital estará ouvindo o médico plantonista e todos os funcionários que trabalharam no dia. O casal foi convocado para uma reunião com a superintendência do hospital amanhã, 16. A reportagem não conseguiu falar com o primeiro médico plantonista que prestou atendimento a doméstica. De acordo com a superintendência do hospital, o médico declarou que esteve no quarto de Irene na manhã de domingo, por volta das 6h00, logo após o feto ter perdido o batimento cardíaco. Ele ainda disse à direção do hospital que a dilatação da gestante era de oito centímetros e o feto estava na posição correta para o parto normal, o que não havia necessidade de ser feita uma cesárea, procedimento que, segundo o especialista, provocaria mais trauma e um risco maior a Irene. O médico afirmou também que esteve no quarto por diversas vezes e que deu assistência necessária para a paciente. (IA)
Foto: A chegada do bebê era um sonho antigo do casal, que tentava por mais de seis anos ter um filho
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