18/04/2010
DA REPORTAGEM
O técnico do CAP (Clube Atlético Penapolense), Euzébio Gonçalves, o popular Lelo, 43 anos comentou em reportagem exclusiva ao DIÁRIO na manhã da última sexta-feira, 16, os seus planos a frente do time, o que inclui a realização de um grande sonho que é levá-lo para a Série A-2 do Campeonato Paulista. Casado, Lelo tem o carisma e o prestígio não só dos jogadores, como da população penapolense, em virtude da grande façanha de 2007 quando conseguiu o acesso para a Série A-3. Formado em Educação Física, o treinador que atua na área desde 1986 iniciou sua carreira esportiva nas categorias de base da Portuguesa Santista. O técnico fez também um panorama do futebol nacional e dos times que estarão disputando a Copa do Mundo na África do Sul que acontece em junho. Confira a entrevista na íntegra.
Diário - Você é muito querido pela torcida do CAP. A que você atribui esse carinho?
Lelo – Sem dúvida a conquista do acesso para a Série A-3 em 2007 no qual participamos. Além disso, acredito que este carinho da torcida se deve também ao comportamento simples e franco que sempre adotei com a comunidade, imprensa e jogadores.
Diário - Em 2007 você subiu com o CAP para a Série A-3. Este ano está na briga para subir para a A-2. Em termos comparativos, qual time é melhor, o deste ano ou o de 2007?
Lelo – Acho difícil de fazer esta comparação até porque vivemos de momentos. Posso garantir que os jogadores que compõem o time este ano são valentes, determinados e guerreiros, o que me deixou contente na primeira vez que tive contato. Cada grupo tem o seu valor, o que torna complicado fazer esta comparação.
Diário - Por que você acha que o time deste ano tem condições de subir para a Série A-2?
Lelo – Um time que fez 31 pontos, marcou mais de 30 gols e tem o artilheiro do campeonato, com certeza tem condições totais de subir. É importante lembrar que houve um equilíbrio das equipes na primeira fase e mesmo agora nesta segunda fase os jogos são mais disputados. Acredito que temos totais condições de obter o acesso para a Série A-2.
Diário - O time do CAP é muito dependente do Viola?
Lelo – Não. Todos os jogadores trabalham em conjunto e o Viola faz parte deste grupo, onde todos ajudam um ao outro, exibindo assim um futebol que a torcida tem gostado e que chegou a esta segunda fase do campeonato.
Diário - Você é adepto do sistema tático com três zagueiros. Por que?
Lelo – Não sou adepto. Sou adepto em utilizar a capacidade e habilidade dos jogadores. A questão de três zagueiros depende da estratégia do jogo e de como o adversário está posicionado taticamente, onde a partir daí faço uma formação forte, seja na defesa, meio-de-campo e ataque. Em algumas partidas pelos times que comandei usei o esquema 4-5-1, 3-5-2 e o 4-4-2. Aliás, foi o 4-4-2 que usei com mais freqüência em 2007 quando era treinador do CAP.
Diário - Você acha que o sistema 3-5-2 é mais defensivo ou mais ofensivo?
Lelo – Vejo este ponto de um modo diferente. Na minha opinião, o modo ofensivo seria onde os jogadores preenchem todos os setores do campo, sem deixar espaço para o adversário. Isso também vai depender do treinador quando montar o time no esquema 3-5-2 se quer mais ofensivo ou defensivo.
Diário - Você acredita que Penápolis suporta um time na Série A-2?
Lelo – Claro que acredito, até porque uma cidade que tem uma grande torcida que apóia o time e sempre está presente nos jogos que acontecem no Tenentão, tem grandes chances de subir para a Série A-2. Além disso, caso seja preciso adequações no estádio para receber os jogos, a administração municipal, assim como fez há algum tempo atrás está disposta a fazer os reparos e ajustes necessários.
Diário - Em termos de estrutura, o que muda de um time da Série A-3 para a A-2?
Lelo – Eu penso que um time deve ser estruturado em qualquer série que esteja. Isso leva uma série de fatores que contribuem, como por exemplo, colocar o atleta em uma posição confortável de descanso, ou seja, um local adequado para isso. Outro fator que contribui bastante são os treinamentos que são realizados, onde deve-se contar com uma comissão técnica competente e um departamento médico bem estruturado para ajudar na recuperação do jogador, o que conta muito e vemos isso na Série A-1 e A-2, deixando a desejar em alguns clubes na A-3, mas acredito que isso está mudando.
Diário - Você tentou a carreira como jogador? Conte como isso aconteceu?
Lelo – Toda criança sonha um dia em ser jogador de futebol, assim como aconteceu comigo. E quando você acaba recebendo o apoio e incentivo de seus pais e demais familiares, este sonho acaba sendo alimentado mais ainda. Porém, quando se começa jogando nas categorias de base de algum time, temos a noção que são poucos os que conseguem se tornar profissionais um dia. No meu caso foi relacionado a questão de consciência, onde em determinado momento cheguei a conclusão que não daria certo como jogador, partindo para a carreira de técnico, o que não me arrependo em nenhum momento e sou muito feliz nesta profissão.
Diário - Quais as maiores alegrias que teve como treinador de futebol?
Lelo – Todos os cinco acessos que tive foram os momentos de mais felicidade em minha carreira. Entre eles, o que me emociona até hoje é o acesso de 2007 do CAP, já que vários aspectos fugiram das quatro linhas e mexeram bastante com meus sentimentos. Naquela época houve uma entrega espiritual por parte de jogadores, comissão técnica e torcida, a ponto de garantirmos que o responsável por esta conquista foi Jesus Cristo. Depois que conseguimos o acesso, um fator que me chamou bastante a atenção foi que diferente das demais comemorações que envolvem bebidas e bagunça, em Penápolis foi feito um culto de ação de graças no Tenentão, lotando a arquibancada coberta. A torcida e demais penapolenses compareceram em massa neste dia, o que até hoje é a minha maior alegria na carreira como técnico.
Diário - Qual o melhor treinador do Brasil na atualidade e porque?
Lelo – Apesar de achar que o treinador vive de momento, onde temos exemplos como Muricy Ramalho, Emérson Leão, Wanderley Luxemburgo, entre outros, na minha opinião o melhor treinador é Carlos Alberto Parreira. Em 2002 ele foi treinador do Sport Club Corinthians Paulista e eu era técnico dos juniores do clube. Falo com convicção que o Parreira é um grande profissional, visto ter acompanhado o seu perfil e a humildade de se relacionar com os jogadores e o mais interessante, conduzir um treinamento sem pronunciar um palavrão. Outro técnico que destaco também é o Paulo Autuori (ex-São Paulo) que utiliza o mesmo método do Parreira, sendo estes dois treinadores como exemplos que sigo e considero como os melhores do Brasil.
Diário - Qual o jogador mais completo do futebol brasileiro?
Lelo – Pergunta complicada, pois acredito que no Brasil temos grandes jogadores completos, distribuídos na defesa, meio-de-campo e ataque. Mas um jogador que vem se destacando e que em algumas situações é escalado em uma posição diferente da qual atua é o Hernanes do São Paulo Futebol Clube, mostrando ser completo dentro e fora de campo, tendo como destaque à liderança positiva que ao lado de Rogério Ceni frente ao clube. Outro jogador completo e que está fora do país é o Kaká do Real Madrid, cujas características são bem parecidas com as do Hernanes.
Diário - Todo profissional tem um sonho. Qual o seu objetivo no futebol?
Lelo – Até alguns anos atrás tinha como sonho nunca ficar desempregado no futebol, pois é uma situação muito chata você estar sem emprego e, graças a Deus a principio este sonho se realizou e sou grato pelos clubes por onde passei. Pretendo agora trabalhar bastante para conseguir ser um dia um treinador de time da A-1 e também dar um presente para a torcida que é subir o CAP para a Série A-2. Estes são meus maiores sonhos no momento.
Diário - Para encerrar, o Brasil vai ser campeão na Copa do Mundo da África do Sul?
Lelo – Como torcedor, tenho certeza absoluta que a Seleção Brasileira será campeã da Copa do Mundo. Como profissional na área esportiva, devemos lembrar que todas as edições da Copa tem os times favoritos ao titulo como Argentina, Inglaterra, Itália, França. Acredito que a mais favorita para erguer a taça este ano seja a Espanha, pois é um time que vem crescendo a cada ano, tendo jogadores habilidosos, sendo um time completo e bem armado taticamente. Mas ainda assim, acredito fielmente que o Brasil será campeão. (IA)
Foto: Lelo tem o carisma e o prestígio da torcida penapolense em função do acesso com o CAP para a Série A-3 em 2007
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