22/08/2010
DA REPORTAGEM
A cidade de Penápolis é a segunda do Estado a registrar mais focos de queimadas este ano, totalizando 215, conforme imagens de satélite e estatísticas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). De acordo com o órgão, a região administrativa de Araçatuba é a segunda colocada no estado de São Paulo, dentre as 15 regiões, a registrar mais focos de queimadas de 1° de janeiro até a manhã da última terça-feira, 17, com 2.366 incidências de fogo. Em comparação com o mesmo período do ano passado, na região o crescimento chega a 82,8%, com referência aos 1.294 focos contados de janeiro a 17 de agosto de 2009. No Estado, a região de São José do Rio Preto é líder na ocorrência de queimadas, com 2.528 focos detectados pelos satélites. O montante é maior em 6,8% (162 incêndios) do que o registrado na região de Araçatuba. Nos últimos dias, o estado de São Paulo contabilizava 592 focos, sendo 105 deles (17,7%) na região de Araçatuba. Santo Antônio do Aracanguá está no topo do ranking nos últimos dias, com 18 focos. Na sequência aparece Pereira Barreto (16), Penápolis (15) e Bento de Abreu (9). Ainda segundo o órgão, o predomínio da estiagem aumenta as estatísticas de queimadas em todo o País. Conforme informou o capitão PM comandante da 1º Companhia da Polícia Ambiental, com sede em Birigui e autuação operacional que abrange Penápolis, Mozar Messias de Souza Filho, o que acontece em nossa região são incêndios colocados por terceiros sem controle, o que perante a Lei é proibido. “Este ano em virtude da constante seca e dos ventos fortes, houve um grande aumento de queimadas em nosso município, o que nos deixa bastante preocupados”, comentou. De acordo com a coordenação do Monitoramento de Queimadas do Inpe, 2010 está sendo um ano muito mais seco do que 2009, com temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e sem chuvas, o que facilita o uso e a propagação do fogo. Mozar ainda observa que a expansão canavieira é uma realidade em nossa região, fazendo com que a cana-de-açúcar sirva de combustão para este tipo de crime. “Para isso, os proprietários devem tomar todos os cuidados necessários para evitar estes incêndios”, destacou. O capitão garante que nos casos em que a Polícia Ambiental surpreende alguém colocando fogo, a pessoa pode ser enquadrada no artigo 60 da Lei 9605 nos casos em que o proprietário coloca fogo de forma irregular a detenção é um a seis meses ou multa, sendo a autuação de R$ 5 mil por hectare consideradas como áreas de preservação permanente. Em pastagens ou lavouras de cana-de-açúcar o valor da autuação é R$ 1 mil o hectare. Já nos casos em que um terceiro ateia fogo, Mozar ressalta que nestas situações a pessoa é enquadrada no artigo 250, onde a pena é mais elevada. “É importante que as pessoas e os proprietários de áreas rurais lembrem que abaixo de 20% da umidade do ar não se pode realizar queimadas e se o tempo seco persistir por mais de dois dias fica suspensa esta atividade”, disse. Ele informou que existe um protocolo de cooperação entre o governo do Estado e a Secretaria do Meio Ambiente para a eliminação da queimada que está prevista para acabar por lei em 2031 em todo Brasil. “Daqui quatro anos, conforme o protocolo deve haver a eliminação da queima em todo Estado de São Paulo”, enfatizou. Além disso, em 2011 as empresas têm que se adaptar de uma forma que a queimada seja feita em 50% dos canaviais e o resto seja mecanizada. Conforme o Climatempo, a chuva de 2009 foi um benefício do fenômeno El Niño, o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico. Este ano, sem El Niño, a seca voltou a predominar durante o inverno. Na região, assim como no Brasil, a quase totalidade das queimadas é causada pelo homem, por razões variadas. As chamadas queimadas naturais só acontecem no período de chuvas, pois são provocadas por raios. Além disso, os incêndios naturais não têm o mesmo efeito devastador que os provocados propositadamente. No contexto local, as queimadas destroem a fauna e a flora, empobrecem o solo e reduzem a penetração de água no subsolo. No âmbito regional, causam poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas. Do ponto de vista global, as queimadas são associadas com modificações do clima do planeta. “Esperamos que não só os proprietários, como também as usinas e a população se conscientizem sobre os perigos e problemas que as queimadas trazem para a cidade e especialmente para nossa saúde”, finalizou o capitão. (IA)
Foto: Segundo o Inep, a cidade de Penápolis é a segunda do Estado a registrar mais focos de queimadas este ano, totalizando 215
Capitão informa que Polícia Ambiental desenvolverá ações ambientais
O capitão PM comandante da 1º Companhia da Polícia Ambiental, com sede em Birigui e autuação operacional em Penápolis, Mozar Messias de Souza Filho, informou que este ano ações ambientais serão desenvolvidas na cidade. “Entre elas, várias atividades voltadas para a questão ambiental nas escolas municipais, estaduais e particulares, pois sabemos que o meio ambiente é uma preocupação mundial”, comentou. Ele destacou que uma das preocupações ao assumir o posto de capitão da Polícia Ambiental era realizar algumas atividades voltadas também as usinas da nossa região, que são de suma importância para o município e com estas ações podem muito colaborar para as melhorias no ambiente, não correndo o risco de serem autuadas”, disse. O capitão disse que ações como essas alavancam a sustentabilidade, formando um conjunto de melhorias nestas práticas ambientais. (IA)
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