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09/07/2017

Hospital Espírita teme fim de projeto por falta de recursos

Imagem/Rafael Machi Hospital Espírita teme fim de projeto por falta de recursos A direção do Hospital Espírita de Penápolis se reuniu nesta semana com funcionárias das Residências para explicar os problemas financeiros enfrentados

DA REPORTAGEM

A direção do Hospital Espírita João Marchesi, de Penápolis, tem enfrentado dificuldades para manter financeiramente suas quatro Residências Terapeuticas, que atende pacientes da entidade que saíram do ambiente hospitalar para viverem em residências comuns a fim de serem inseridos na sociedade. Até mesmo salários de funcionários das residências já enfrentam atrasos.
O objetivo das Residências é o de receber pacientes com transtornos mentais para que possam morar em um ambiente mais aconchegante e independente, tendo seus próprios objetos. O projeto começou a ser implantado em 2015 e nos seis primeiros meses recebia verbas do Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o presidente da instituição, José Paulo Lopes, o intuito do projeto era de que, após os seis meses de repasses do Estado, as verbas passassem a serem oriundas do Governo Federal, o que não ocorreu. “O Estado cumpriu com sua parte e fez os devidos repasses durante os seis primeiros meses, entretanto, quando a responsabilidade passaria a ser do Governo Federal, começamos a enfrentar muita burocracia e dificuldades por parte do governo. Por conta disso, estamos desde abril do ano passado sem receber todo o montante federal que nos deveria estar sendo repassados”, explicou. 
A primeira Residência inaugurada parou de receber o dinheiro público em abril de 2016, o mesmo passou a ocorrer com as demais residências a partir de outubro e dezembro também do ano passado. A auxiliar administrativa do HE, Roseli Herreira, afirmou que com esta falta de recursos, o Hospital Espírita passou a investir recursos próprios para manter os 40 pacientes atendidos pelos 27 funcionários diretos que atendem nas Residências. “Não podíamos deixar estas residências desamparadas, pois se tratam de 40 pacientes que apresentaram melhoras significativas e que hoje possuem condições desta inserção, não podendo haver um retrocesso em seus tratamentos”, afirmou.
Desta forma, o HE passou a custear o projeto com recursos conquistados através de eventos realizados em anos anteriores e também através de doações das pessoas. Segundo a direção, o investimento próprio já passa de R$ 400 mil.

Acúmulos
Com a utilização de recursos próprios, a reserva mantida até então pelo HE passou a ficar escassa e a entidade começou a enfrentar dificuldades financeiras para manter as quatro Residências Terapêuticas que fazem parte do projeto. A auxiliar administrativa destacou que são diversos os gastos que hoje sofrem atrasos. “Precisamos custear o aluguel das residências, alimentação, materiais de higiene, contas de luz, água e telefone, entre outros gastos que são necessários para se manter o atendimento prestados nas casas”, explicou. 
Entretanto, segundo ela, o maior dos problemas tem sido o atraso no pagamento dos 27 funcionários. Eles estão sem receber os salários referentes aos meses de maio e junho e o acúmulo na folha de pagamento já é de quase R$ 90 mil. “Esta está sendo nossa maior preocupação por se tratar de famílias que estão sendo diretamente afetadas pela falta de pagamento. Além disso, dependemos do bom trabalho que vem sendo desenvolvido pelos funcionários, que trabalham com muito carinho e paciência com os moradores”, disse. 
Para ela, a compreensão dos funcionários em relação ao difícil momento tem sido fundamental. “Eles possuem um amor muito grande pelo trabalho deles e pelos pacientes das casas, por isso têm sido grandes parceiros em compreender o momento, mas temos que nos agilizar, em buscar estas verbas, que é nossa por direito, para que possamos acertar esta situação, evitando maiores problemas, já que o HE, infelizmente, não possui mais condições de arcar com recursos próprios”, destacou.

Buscas
Visando amenizar o problema até que os repasses do Governo Federal seja normalizados, a direção do Hospital Espírita buscou a intervenção da Prefeitura Municipal de Penápolis, através da Secretaria de Saúde para que pudesse haver um aporte financeiro, ao menos neste período de maior instabilidade. “A Prefeitura tem nos ajudado através da intermediação junto ao Governo Federal para a liberação do nosso recurso. Entretanto, diante dos problemas que temos enfrentado, chegamos a pedir um aporte financeiro somente para este período de falta de repasses. Seria uma ajuda extremamente necessária para que pudéssemos amenizar esta situação, realizando, por exemplo, o pagamento dos funcionários, custo médio de R$ 45 mil por mês. Os demais nós buscaríamos de outras maneiras”, destacou o presidente. 
Na manhã desta sexta-feira (07) a direção se reuniu com funcionários para explicar a situação. Durante o encontro eles destacaram que compreendem o problema, mas que sentem receio por conta das contas a pagar e também por suas famílias. De acordo com a direção do HE, a Prefeitura tem se posicionado de maneira a ajudar naquilo que está ao seu alcance, mas que um repasse financeiro não estaria sendo possível no momento por conta da crise financeira que o Poder Executivo também tem enfrentado. “Somos uma entidade que sempre se manteve com as próprias pernas, com atendimento de referência para toda nossa região através de repasses do Estado e da doação de toda a comunidade. Hoje vemos tantas entidades que recebem aportes da Prefeitura e nós, que buscamos algo somente até a normalização dos repasses, enfrentamos estas dificuldades. Buscamos estes meios porque estamos desesperados em relação à situação das casas, caso contrário teremos que fechar as portas do projeto que beneficia 40 pacientes e quase 30 funcionários”, ressaltou José Lopes. 

Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Penápolis informou que não há previsão legal para adiantar recursos que deverão ser repassados pelo Governo Federal e que a Secretaria de Saúde já fez um repasse antecipado de R$ 80 mil para o hospital. Em resposta aos questionamentos feitos ao Executivo, a Prefeitura disse também que o prefeito Célio de Oliveira (PSDB) esteve recentemente em Brasília em audiência com o Ministro da Saúde. O objetivo da visita foi o de “interceder no sentido de liberar os repasses das duas residências terapêuticas. As outras duas residências ainda estão em fase de aprovação”, afirmou a nota.
Por fim, a nota enviada pela Prefeitura em resposta ao assunto afirmou também que os “recursos do SUS estão sendo repassados normalmente ao HE, bem como as subvenções municipais que já foram repassadas antecipadamente até o fim do ano. O que está em atraso, por parte do Governo Federal, são recursos de convênios firmados pela OS (Organização Social) João Marchesi, com o Ministério da Saúde, para manutenção de quatro residências terapêuticas”, finalizou a nota.

(Rafael Machi)


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