04/04/2019
São Pedro, Santo Antônio e São João devem estar preparando uma grande festa junina fora de época lá no céu! Digo isso pois, como se não bastasse ter levado o grande rei do chamamé Dino Rocha há menos de um mês, papai-do-céu resolveu incrementar ainda mais o baile celestial chamando também nosso grande sanfoneiro penapolense Cidinho (foto).
Por volta dos meus sete anos de idade, fui levado em uma das FAIPE (feira agroindustrial de Penápolis), no “campo do japonês”, depois clube Kaikan, para mostrar atrás do palco o que eu já sabia fazer com minha sanfoninha para um jovem sanfoneiro que ali ia se apresentar. Lembro que o Cidinho me ouviu com atenção, passou a mão na minha cabeça e me incentivou a continuar. Em seguida, pegou a sanfona e tocou um pouco pra mim que, com certeza, devo ter ficado de boca aberta! O público que lotava o local deveria estar mais interessado no Sidney Magal, Roberto Leal ou principalmente na Gretchen, então no auge de sua “Conga, Conga”, que eram as atrações da noite. Mas pra mim, que mais tarde resolvi trocar a sanfona pelo violão, o que marcou foi o fole incrível daquele jovem Cidinho!
O tempo voa. E eu saí de Penápolis para estudar em Campinas e depois morar em São Paulo. Cidinho comprou ônibus, montou banda de baile e cortou o chão do nosso estado, indo até para outros, levando sua arte, a alegria e o balanço de sua sanfona pra muita gente. No seu toque a gente ouvia as nossas origens, as valsas e dobrados dos bailes de barraca da italianada do nosso interior. Mas também ouvíamos o vanerão gaúcho ou o baião de Gonzagão. Cidinho dominava tudo da rica escola da sanfona brasileira!
Como acontece com todo verdadeiro artista, sobretudo aqueles que carregam junto uma família e a vontade de criar direito os filhos, as crises volta e meia aparecem ao longo da caminhada. E numa dessas, Cidinho resolveu parar de tocar. A tão admirada sanfona ficou um bom tempo calada até que um dia resolveu mudar de opinião, ouvindo o conselho com o qual meus pais se orgulham de tê-lo convencido: “Cidinho, você um rapaz temente a Deus, como pode desprezar um dom tão raro, o da música, que Ele mesmo te deu com tanta generosidade ?” E o fole da sanfona voltou a se encher de alegria e esperança! Meu pai, o Pedrinho Casa Branca, garantia que ele tinha voltado ainda melhor do que já era!
Justo agora, que o nosso sanfoneiro voltava a animar os bailes da nossa Penápolis e região, reorganizando sua banda, vem essa “convocação” tão inesperada lá de cima. Como diria Rolando Boldrin, esse realmente partiu “fora do combinado”...
Num tempo de tanto rancor e ressentimento como é esse que vivemos, a força e a alegria daquela sanfona, bem como a simplicidade e a risada franca do sanfoneiro vão fazer falta, vão deixar saudades! Vai em paz, amigo Cidinho!
por Euclides Marques (o Clidinho)
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