23/01/2008
Lotéricas de Penápolis consultadas ontem pela Reportagem garantiram não terem aderido ao protesto que leva o nome de “atendimento padrão” proposto pelo Sindicato de Lotéricas do Estado de São Paulo e válido para os próximos 30 dias. O movimento tem como objetivo principal forçar a Caixa Econômica Federal a aceitar algumas reivindicações da categoria. Nas cidades onde o protesto estava previsto, o horário de atendimento ao usuário seria alterado para um tempo menor.
A decisão foi tomada em assembléia que aconteceu na semana passada, na sede do Sincoesp, e também determinou que, caso a Caixa retire o serviço (subsidiado) de carro-forte, as lotéricas limitariam o seu atendimento ao horário do expediente bancário. A Reportagem apurou que este procedimento ocorre apenas em cidades com mais de 100 mil habitantes. Em Penápolis são os responsáveis pelos estabelecimentos que levam pessoalmente os valores em dinheiro ou cheques para depósito bancário. As lotéricas que aderirem ao “atendimento padrão” o manterão por um período de trinta dias, a contar desta segunda-feira, dia 21. Será direcionado basicamente a limitar o horário de funcionamento da lotérica há oito horas por dia, ao invés das atuais 12 horas/dia, na média de dias de pico, como ocorre em alguns estabelecimentos.
A medida, segundo consta, é uma política de redução de custos operacionais, como: horas-extras, seguro de valores, e transporte via carro-forte. Alguns estabelecimentos que prometeram participar do protesto deixariam de receber algumas contas, entre elas o IPVA, alegando que a Caixa não extorna os valores em caso de erro, o que é mais uma das medidas impostas aos comerciantes pela Caixa. Uma outra crítica é quanto à mudança de função inicial destes estabelecimentos, criados para movimentar apostas. Este problema é sentido também em Penápolis. Segundo um dos proprietários de lotéricas da cidade, Ercílio Alves da Silva, da Lotérica União, muitos apostadores até deixam de fazer seus jogos incomodados por filas geradas por pessoas em pagamento de contas e que precisam enfrentar. O lucro para cada conta recebida, em torno de R$ 0,30, para Ercílio é bem inferior aos recebidos em apostas. O baixo lucro levou a algumas farmácias, que até recentemente recebiam contas, a interromper o procedimento. “É muito pouco pelo trabalho, o que não torna compensador”, afirmou o comerciante. Este problema também foi discutido na última assembléia, sendo aprovada a reivindicação para a redução de terminais para recebimento de contas, criando caixas exclusivos para jogos. (SRF)
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