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Diário de Penápolis

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08/12/2006

Polícia: Réu é libertado após ser condenado há dois anos de prisão

O réu Willian Rodrigues, 21 anos, acusado de no dia 30 de novembro de 2004, por volta das 21h45, ter tentado matar seu ex-amigo e companheiro de moradia, Junio César da Silva Roque foi condenado ontem pelo Tribunal do Júri de Penápolis a cumprir uma pena de dois anos de prisão. Mas, como permaneceu preso durante este período na Cadeia Pública de Penápolis aguardando pelo julgamento, ontem mesmo pôde sair do Fórum em liberdade. Presidido pelo juiz Rodrigo Chammes, o Conselho de Sentença foi formado por quatro homens e três mulheres. Na acusação atuou o promotor de justiça Dório Sampaio Dias enquanto que na defesa Willian teve os serviços do advogado Antônio Carlos Oberg. O crime, conforme apontado pelo Ministério Público, foi motivado por um furto cometido por Junio que ocorreu na rua José Pirani, no Jardim Paraíso. Os dois envolvidos, segundo consta, residiam na mesma casa e, passando por dificuldades financeiras, Junio furtou R$ 650,00 de Willian. Como não quitou a dívida, para o Ministério Público, Willian passou a ameaçá-lo de morte e inclusive adquiriu um revólver calibre 22. Junio resolveu se mudar para o Mato Grosso e após um período retornou para Penápolis, tendo ido morar com os pais. Ao saber do retorno do ex-amigo, Willian, segundo apurado pela investigação policial, foi até a residência e ao pular o muro, após desferir coronhadas na cabeça de Junio efetuou dois disparos que atingiram sua região lombar. Um outro envolvido, que teria levado o acusado em uma moto até a residência e depois auxiliado na fuga, permanece foragido.

 

Depoimento

Ao ser ouvido perante o júri Willian confirmou que o crime foi motivado pelo furto do dinheiro, mas negou que tivesse a intenção de atirar contra o ex-amigo. Conforme afirmou, Willian, que até então trabalhava com uma carregadeira na Usina Campestre, havia alugado uma residência e Junio, que segundo ele estava desempregado, pediu para morar junto, o que foi aceito. Como cumpria turnos alternados de 12 horas, no dia do furto relatou que chegou em casa por volta das 06h00 e após tomar banho providenciou a troca de um cheque relativo ao pagamento da empresa para quitar algumas dívidas no comércio. Ao retornar para casa, como já havia trabalhado por durante toda à noite e retornaria no turno seguinte, foi dormir. Aproveitando esta situação, narrou o réu, Junio se apossou do dinheiro e viajou para Campo Grande. De lá passou a telefonar afirmando que pretendia retornar. Willian negou que o tivesse ameaçado de morte, mas confirmou que tudo o que queria era ter o dinheiro de volta. Segundo ele, com medo de possíveis represálias da família de Junio passou a andar armado com o revólver que já havia adquirido anteriormente.

No dia do crime, destacou, havia se dirigido até uma quadra esportiva que fica próxima à casa do ex-amigo com a finalidade de jogar futebol e teria então encontrado com o ex-amigo. Junio teria convidado-o para entrar, dando como desculpa que pretendia acertar a dívida. Mas, ao adentrar na residência Junio teria iniciado uma sessão de insultos, inclusive raciais.  Os dois teriam então entrado em luta corporal e, ao ver que Willian estava armado, Junio teria tentado tomar sua arma. Durante a briga os disparos ocorreram, tendo um dos projéteis da arma calibre 22 atingido a região lombar de Junio. Após ter atingido o ex-amigo, Willian saiu da casa, sendo levado embora pelo amigo com a moto (o réu não incriminou o amigo foragido e alegou que havia emprestado a moto para que ele buscasse a esposa. Ao retornar os dois foram embora, momento em que Willian dispensou o revólver na Estrada do Mineiro.

“Não queria que nada disso tivesse acontecido, mas somente receber de volta o dinheiro que ele havia pegado”, comentou o réu aos presentes. Ao ser perguntado pelo promotor se tinha por hábito jogar bola armado, Willian ressaltou que por se sentir ameaçado passou a carregar consigo o revólver, mesmo não tendo porte ou permissão para tal. Até este episódio, Willian não havia sido preso ou processado. (SRF)


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