08/04/2007
Frei Mauro A . Strabeli
A mensagem central da Páscoa nos é dada pelo evangelista São Lucas: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou!” (Lucas 24, 5-6).
A Páscoa vem a ser a celebração da vida. Desde suas origens pastoris, passando pela interpretação teológica feita pelo Judaísmo até a sua cooptação pelo Cristianismo: ela é vida para o rebanho e para os pastores (nomadismo); ela é vida e libertação de toda opressão (Judaísmo), ela é Vida em plenitude transmitida pela ressurreição de Jesus, o Filho de Deus (Cristianismo).
A teologia da ressurreição é muito bonita, antropológica e reconfortante. Dá ao homem o sentido de sua vida: ninguém quer morrer. E a partir da ótica cristã da ressurreição ninguém morre mesmo. A vida é o dom inestimável, indestrutível , que nos foi dado por Deus. Não existem forças capazes de anulá-la: “Ó morte, onde está a tua vitória?”, diz S. Paulo em 1Cor 15,55. A Ressurreição de Cristo é a vitória sobre a morte (1Cor. 15,26).
Estamos celebrando a Páscoa. Ela não é um dia no calendário cristão, mas é dom de cada instante, de cada dia, de todos os dias na vida humana. A Páscoa , a Ressurreição não são “dogmas” para serem explicados. Querer explicar a ressurreição é entrar pela porta errada. Ela não é algo do passado a ser pesquisado ou de um futuro desconhecido. Ele é do presente. Não é algo provável, mas vivencial de ontem e de hoje. Foi essa a experiência da Comunidade primitiva. Enquanto os discípulos procuravam entendê-la eles se perderam no labirinto da razão. Mas quando foi entendida como experiência vivencial da fé no Senhor Jesus Vivo ela deu sentido à vida cristã, deu força para caminhar e dinamismo para testemunhar entusiasticamente. Esse é o sentido do relato de São Lucas sobre os discípulos de Emaús (Lucas 24). A fé na Ressurreição nasce dentro da Comunidade. Não vem de fora. Os relatos dos evangelistas sobre a ressurreição de Jesus, têm todos eles esse pano de fundo. Ressurreição é vida. E vida não se discute. Vive-se plenamente. E se podemos dizer: o mais plenamente possível. Isso acontecerá quando, pela ressurreição, imergirmos na imensidão da Trindade.
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