13/02/2009
A catadora de papel Lourença Palma da Cunha, 55 anos, encontrou ontem à tarde, aproximadamente R$ 20 mil na lixeira de um estabelecimento comercial, localizado no centro da cidade, devolvendo em seguida ao proprietário.
Há cinco anos, Lourença, que antes era doméstica, percorre diariamente toda a cidade em busca de materiais recicláveis como forma de ajudar no sustento de sua família, composta pelo marido e dois filhos. Humilde, a catadora de papelão explica como foi que encontrou o dinheiro. “Todos os dias vou neste estabelecimento recolher os materiais recicláveis. Ontem peguei as sacolas que estavam na lixeira e uma delas me chamou a atenção”, comenta.
Ao abri-la, Lourença deparou-se com uma porção de notas e achou que a mesma era de colecionadores ou figurinhas. “Chamei o rapaz que trabalha na marcenaria defronte minha casa, quando ele notou que o dinheiro era verdadeiro”, destaca.
Do mesmo jeito que encontrou a catadora se prontificou a entregá-lo a seu respectivo dono. Chegando ao estabelecimento comercial, percebeu que os funcionários estavam apavorados. “Eles já tinham procurado em todo o estabelecimento quando cheguei com a sacola. Quando mostrei o dinheiro que haviam perdido, o pessoal agradeceu dizendo que foi Deus quem havia me mandado encontrar”, admite.
“Minha mãe sempre ensinou que não devemos pegar nada que seja de outras pessoas e por isso repasso para meus filhos e netos esta importante lição”, ressalta. Lourença disse que no mundo em que vivemos, onde a ganância prevalece, 90% das pessoas não entregariam o dinheiro. “Estou muito feliz pelo gesto que fiz”, disse.
Lourença afirmou ainda que com o trabalho é possível alcançar os objetivos, e, exemplificou afirmando que recolhendo materiais recicláveis conseguiu pagar os estudos de seu filho Ricardo, formado ano passado no curso de Administração. Além de catadora, Lourença é voluntária por meio período no Fundo Social de Solidariedade, ajudando na organização dos eventos beneficentes e atendimento ao público. Para Maria Horacília do Nascimento, responsável pelo Fundo Social, é muito gratificante ter uma pessoa como Lourença trabalhando voluntariamente. “Quem bom seria se houvesse neste mundo pessoas honestas como ela”, enfatiza. Com o dinheiro ganho como gratificação, cerca de R$ 200,00, a catadora citou que comprou alguns alimentos para a festa de aniversário de seu filho e neto, além de pagar uma conta. “Espero que este gesto que fiz sirva de exemplo para as outras pessoas, pois a honestidade é o nosso maior patrimônio”, finaliza. (IA)
Foto: Ao encontrar o dinheiro, Lourença achou que o mesmo era de colecionadores ou figurinhas
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